quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Chicago.




___A fama instantânea que milhares de pessoas almejam mundo afora, é o tema base do musical vencedor absoluto do Oscar de 2003. Chicago conta a história de Roxie Hart (Renée Zellweger) e Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones), que por seus 15 minutos célebres fazem qualquer coisa.

___Adaptado por Bill Condon, da peça de teatro original de Fred Ebb e Bob Fosse, o filme apresenta uma mulher ingênua, que sonha em ser uma cantora famosa - Roxie - que após assassinar o amante, vai para a penitenciária, onde conhece Velma, que já tinha o status de celebridade, antes de matar a sangue frio o marido e sua amante. Na prisão, Roxie conhece "Mama" Morton (Queen Latifah) sua chefe corrupta, e por sugestão dela contrata o advogado mais acionado do momento, Billy Flinn (Richard Gere).




___Em pouco tempo, Flinn consegue que Roxie seja conhecida e amada pelas pessoas, que acreditaram que ela não fez nada por impulsos maléficos, que estava arrependida de tudo. E assim, ela passa a fazer muito sucesso. Velma, antes a presa mais famosa, começa a sentir ciúmes e arma uma maneira de desacreditar Roxie. As duas que eram clientes do mesmo advogado, travam uma batalha, da qual Velma sai vitoriosa. As duas voltam a unir-se tempos depois - e aqui acabam os desagradáveis spoilers.




___Por sua beleza visual, sua musicalidade bem executada e as belíssimas interpretações de seu elenco, Chicago arrebatou excelentes críticas do público, da crítica em si, e principalmente, da Academia. Além da estatueta de melhor filme do ano, levou também: melhor atriz coadjuvante - Catherine Zeta-Jones, melhor edição - Martin Walsh, melhor direção de arte - John Myhre, melhor figurino - Collen Atwood e melhor mixagem de som. Concorreu a mais sete prêmios: melhor direção - Rob Marshall, melhor atriz - Renée Zellweger, melhor ator coadjuvante- John C. Reilly, melhor atriz coadjuvante - Queen Latifah, melhor roteiro adaptado - Billy Condon, Melhor fotografia e melhor canção original - 'I move on', de John Kander (música) e Fred Ebb (letra).




___O elenco esteve impecável, com Zellweger dando um verdadeiro show, quando Roxie finalmente desponta para o estrelato, com um poder musical inesperado. Zeta-Jones realça sua reputação de boa atriz, mesmo que um pouco baixa até o momento, com a efervescência que Velma necessitava, uma atuação impecável. Gere e Latifah se apresentaram muito bem, porém, foram de certa forma ofuscados pelas protagonistas.




___Chicago para mim, antes de ser um filme divertido, com energia e ótimas canções, retrata de uma maneira interessante o universo de uma penitenciária feminina, ao apontar levemente, possíveis motivações e ao mostrar como a obstinação está contida nas mulheres - mesmo que, nem sempre, de forma positiva.




___Como musical, poucos filmes foram tão bem vistos e quistos como Chicago. A musicalidade bem harmonizada, já apontada, é cativante, boa pra se ouvir, quase vísivel. A canção principal, I move on, é contagiante:





[VELMA]
While truckin' down the road of life, although all hope seems gone,
I just move on.
[ROXIE]
When I can't find a single star to hang my wish upon, I just move on,
I move on.
[VELMA]
I run so fast, a shotgun blast can hurt me not one bit.
[ROXIE]
I'm on my toes cause heaven knows a moving target's hard to hit.
[VELMA & ROXIE]
So as we play an ice ballet, we're not the dying swan, we just move on,
we move on.
[ROXIE]
Just when it seems we're out of dreams, and things have got us down.
[VELMA]
We don't despair, we don't go there, we hang our bonnets out of town.
[VELMA & ROXIE]
So there's no doubt we're well cut out to run life's marathon, we just move on,
we just move on.
So fleet of foot, we can't stay put, we just move on.
Yes, we move on!





___Uma hora ou outra, conseguirei adicionar vídeos com os trailers e canções aqui, espero. Por ora, assista Chicago.





segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

The Silence Of The Lambs.





Em 1992 não teve para mais ninguém. Os cinco prêmios principais oferecidos pela Academia foram diretamente para os braços de Jonathan Demme (melhor direção), Jodie Foster (melhor atriz principal), Anthony Hopkins (melhor ator principal) e Teddy Tally (melhor roteiro adaptado, baseado no romance de Thomas Harris); além da estatueta mais importante: a de melhor filme do ano. Recebeu ainda indicações nas categorias de melhor edição e melhor som.


O sucesso de O silêncio dos inocentes - traduzindo para o português - está associado, sem dúvidas, às excelentes atuações de Hopkins e Foster. Um show de interpretação que pontuou de forma sublime os diálogos de extrema complexidade psicológica, como poucos filmes apresentam. As sequências desse suspense são tão bem feitas, calculadas e intensas, que é quase impossível não agarrar qualquer objeto a frente. Tensão mental e física muito bem imprimidas por Demme.



O sequestro de uma garota, por um psicopata, é o que leva Clarice Starling (J. Foster) a entrar em contato com o, outrora importantíssimo, psiquiatra Hannibal Lecter (A. Hopkins). Tal encontro serviria para que Hannibal traçasse o perfil psicológico do assassino em série, enquanto em troca, Starling revelaria segredos de seu passado. Starling encara a difícil missão de conversar durante horas com o ex-psiquiatra, que é canibal e já está no corredor da morte. Essa ajuda faz com que as pistas certas sejam seguidas, e mariposas exóticas resolvem o mistério - não apresentarei mais spoilers para não atrapalhar, ainda mais, possíveis novos espectadores.

O fato é que, para os cinéfilos de plantão, The silence of the lambs está para o gênero 'serial killer', como o The Godfather está para os filmes de máfia, tamanho seu poder de execução e inteligência. E mais do que isso é a incrível criação que o cinema presenciou, pois Hopkins transformou Hannibal Lecter em um dos mais monstruosos personagens do cinema, ao mesmo tempo em que torna-se impossível não admirar aquela pose calma e as indagações sempre coerentes, do canibal atrás do vidro.

Todos os Oscars arrebatados por essa película são merecidos. Definitivamente, em termos de mistério e suspense é imbatível, pois poucos filmes trazem uma sensação de realidade tão grande como este. Mérito de Demme, de Tally (com a adaptação sucinta para o cinema) e também para a trilha sonora assinada por Howard Shore, que inevitavelmente nesse gênero, faz arrepiar os cabelos da nuca a qualquer instante.

Obra prima, clássica, fantástica! Sem mais.


domingo, 15 de fevereiro de 2009

American Beauty



  • Com a chegada iminente do esperado evento cinematográfico, o sempre jovial e nem sempre justo: Oscar, esse desatento blog terá considerações apresentadas sobre alguns filmes vencedores do tão definidor prêmio - o de melhor filme do ano, no caso. O primeiro dessa seleta lista é o Beleza Americana (Oscar/1999), filme dirigido por Sam Mendes, desses que apresentam um cenário pouco adotado como verdadeiro aos norte-americanos de plantão.
  • Como na maioria dos grandes filmes da história, um dos trunfos de American Beauty está em seu roteiro. A criação complexa e bem amarrada de Allan Ball, unida às excelentes interpretações do elenco e a direção, primorosa e visualmente perfeita, de Sam Mendes tornou essa película um dos clássicos do cinema.
  • O enredo apresenta personagens com conflitos interiores complexos, descritos em uma família de classe média, típica estadunidense - Lester, Carolyn e Jane Burnham, seus vizinhos ainda mais conservadores e tradicionais - Coronel Frank Fitts, Barbara e Ricky Fitts, e a melhor amiga de Jane Burnham, a jovem e bela Angela Hayes. Pela intensidade de tais personagens, uma rápida descrição de cada um deles se faz necessária.
  • Lester Burnham é um homem que entra na crise da meia idade. Ao pedir demissão do emprego, com uma chantagem vantajosa sobre seus chefes, ele passa a viver de modo a recuperar aquela juventude que ele mal viu passar. Interpretado de forma magistral por Kevin Spacey (vencedor do Oscar de melhor ator), Lester é o esposo traído de Carolyn (Annete Bening, indicada ao Oscar de melhor atriz), e o pai da problemática Jane (Thora Birch). Sem muitas perspectivas para o futuro, Lester repentinamente se vê envolvido com Angela, a intrigante amiga de sua filha, em pleno frescor de sua juventude. Ele passa a se exercitar ainda mais, em busca de um corpo que outrora foi seu, e a realizar coisas que desejava muito e que não tinha tido oportunidade. Um carro esporte, uso de maconha, amizade com pessoas mais jovens, o vizinho Ricky, no caso, são os exemplos mais característicos.
  • Enquanto isso, sua família desmorona. A esposa Carolyn mantém um caso com Buddy Kane (Peter Gallagher), e sua vida se faz perfeita com as roupas certas, o carro do ano, o jardim perfeito e certas futilidades que não estão distantes da realidade de qualquer pessoa. A filha do casal, Jane, é extremamente insegura, e apenas ao entrar em contato com Ricky (Wes Bentley), o vizinho que vê tudo por meio de sua camêra, é que consegue perceber sua singularidade. Os dois jovens e Angela (Mena Suvari) são a nova geração de Beleza Americana. Angela, por sinal, apesar de sua aparente obcessão por sexo, é tão insegura quanto Jane, e sofre muito por não saber o que realmente precisa em sua vida.
  • Para fechar a gama de personagens do filme, o casal Fitts - o coronel Frank (Chris Cooper), figura autoritária, que mantém o filho sob supervisão rigorosa o tempo todo, não escapando de ser enganado por ele, e a submissa Barbara (Allisson Janney), que é uma das personagens mais tristes que já observei no cinema. Seu silêncio contrasta com as ordens machistas de seu marido, e novamente, a realidade não fica longe do que é apresentado na trama.
  • Traição, desonestidade, submissão, sexualidade exarcebada, drogas, silêncios amargos, entre outros conflitos, são os temas dessa importante produção, que ao dizer 'look closer - olhe de perto', traz a realidade, não apenas norte-americana, mas humana aos olhos de todos. A percepção de uma sociedade pautada no que é visível aos outros, não no que necessariamente é melhor a si mesmo, faz com que enredos de Ball, sejam encaixados em pinceladas nos cotidianos dos espectadores, e é isso ao meu ver, que faz com que American Beauty mereça todos os gracejos que rondam seu nome.

  • TRILHA SONORA
  • Indicada também ao Oscar, essa trilha sonora é uma das melhores mesmo e ponto. Músicas como Because, escrita pela dupla Paul/John e interpretada por Elliot Smith:

"Because the world is round it turns me on.

Because the wind is high it blows my mind.

Love is old, love is new. Love is all, love is you".

  • All right now, de Free
  • All along the watchtower, do mestre Bob Dylan:

"There's too much confusion, I can't get no relief.

Businessmen, they drink my wine, plowmen dig my earth.

None of them along the line know what any of it is worth."

  • The seeker, da poderosa The Who:

"I'm looking for me. You're looking for you.

We're looking in at other. And we don't know what to do".

  • Open the door, fantástica de Betty Carter,
  • Where love has gone, de Bobby Darin, que assina pelo menos mais quatro faixas e encerra a trilha.

Com oito indicações ao Oscar: melhor trilha sonora/edição/ atriz principal: Annete Bening; e cinco vitórias: melhor filme/ melhor direção:Sam Mendes,/ melhor ator principal: Kevin Spacey/ Melhor fotografia/melhor roteiro original: Allan Ball; é essa a beleza de American Beauty.


sábado, 12 de julho de 2008

Pride & Prejudice.


  • Um clássico da literatura mundial, de uma das maiores autoras que já existiu, tornou-se sob os ângulos de Joe Wright um dos romances mais envolventes e maduros que o cinema já exibiu. Orgulho e preconceito, da mestra Jane Austen, foi a obra adaptada em questão. A história é sobre Elizabeth Bennet, que junto das quatro irmãs e dos familiares excêntricos, se vê envolvida com Mr. Darcy, um jovem rico e esnobe que chega à cidade em que ela vive, acompanhado de um amigo, o também afortunado Mr. Bringley. O que Austen pontuou de forma brilhante em seu livro, foi colocado, talvez com menos sarcasmo, mas com muita integridade no filme. Vamos a ele.
  • Em uma época em que o contato entra homens e mulheres era bem mais restrito, a mãe de Elizabeth, Mary, Lydia, Kitty e Jane, tem como principal objetivo encontrar um marido para cada uma delas. A filha mais velha, a jovem e bela Jane (Rosamund Pike), ainda não é casada, assim como as demais, e apaixona-se quase à primeira vista pelo adorável Mr. Bringley (Simon Woods), que corresponde instantaneamente. O jovem havia se mudado para uma mansão nos arredores da casa da família Bennet, juntamente com sua irmã Caroline (Kelly Reilly) e o grande amigo Mr. Darcy (Matthew MacFadyen). Logo no primeiro baile conhecem as irmãs Bennet. Porém Darcy, ao contrário de Bringley, não cai de amores por Elizabeth (Keira Knightley), causando inclusive uma terrível impressão a ela, por seus comentários nada gentis e jeito tarciturno; o que muda com o passar do tempo e os encontros cada vez mais inesperados dos dois.
  • Resumidamente, o orgulho e preconceito já explícitos no título, são os dois sentimentos que os personagens demonstram sentir. Elizabeth, apesar de ser uma jovem educada e, aparentemente, sensível e meiga, se mostrou uma verdadeira heroína, ao não ir de encontro a nenhuma situação que desaprove. Ela acreditava que somente o verdadeiro amor a levaria a se entregar a um homem, contando com o apoio do pai. Por outro, Darcy, que apesar de soar arrogante, é um jovem educado e que não se abre facilmente com estranhos, viveu um dilema ao se descobrir apaixonado por Elizabeth, dada a origem humilde e até mesmo os maus hábitos da família da moça, que orgulhosa não se abaixa sob a imponência do nome e fortuna de Darcy.
  • Indicado a quatro Oscars (melhor atriz: Keira Knightley, melhor figurino, trilha sonora e direção de arte), é um romance lindo, com noções reais de como pode se desdobrar o amor. Uma história de época, assistível em pleno século 21, com o amor já tão banalizado, sem análises muito precisas das motivações de um casal. Primoroso.
  • Dario Marianelli, que assina a trilha do filme, traz melodias ricas, que levam o espectador diretamente para o mundo de Elizabeth e Darcy. You hands are cold, é uma das composições mais bonitas que já tive o prazer de ouvir, citando apenas uma das muitas incorporadas ao longo do filme, com leveza e intensidade.
  • É esse, portanto, o Orgulho e preconceito que tanto merece ser assistido e reconhecido, tal sua beleza, inteligência e sagacidade. Jane Austen não formou melhor dupla que não com Joe Wright, nesse caso.

domingo, 11 de maio de 2008

Pulp Fiction.


  • Se um filme pra ser bom tem que ter sangue, situações macabramente inusitadas, cotidiano sombrio e uma "realidade" irreal, Pulp Fiction - Tempo de Violência veio para ser excelente. Afinal, em seu roteiro original e vencedor do Oscar, Globo e Palma de Ouro (1995) é exatamente isso que há. Uma ficção pertubadora e que faz o espectador pensar: "O que é isso, companheiro?".
  • O filme de Quentin Tarantino - definível como um diretor além das expectativas - traz uma "realidade" submundana ( insisto nessas aspas, logo explicarei o porquê) repleta de violência e um sadismo que o faz ser até mesmo divertido. Mas essa diversão também poderia estar entre aspas, porque não sei quão engraçado pode soar, por exemplo, um assassino que dá um tiro por engano, no cara dentro do carro e esparrama seus miolos por todos os cantos. Se essa não for uma das graças do filme, não consigo apontar qual é.
  • Um elenco cheio de figuras carismáticas e conhecidas do cinema, como Samuel L. Jackson (Jules Winnfild, o assassino que todos nós queríamos ser), John Travolta (Vicent Vega, o assassino 'desastrado' que eu com certeza iria ser), Uma Thurman (Mia Wallace, ótima no papel da mulher do chefão), Ving Rhames (Marsellus Wallace, O chefão) e Bruce Wills (Butch Coolidge, o lutador boa pinta e destrutivo que precisa salvar sua pele); e o elenco mantém esse filme, meio "sem pé nem cabeça", firme e forte, tal foi seu sucesso entre os cinéfilos alternativos.
  • Os grandes fãs de Pulp Fiction, cheios de respostas explicativas para cada detalhe do filme que me perdoem, mas começarei a explicar minhas aspas. A primeira utilizada - e duas vezes - "realidade" se deve ao fato de que o que o filme mostra está longe de ser a realidade. Muitos vão insistir que aquilo tudo existe e acontece num submundo distante, longe de nossas vidas pacatas, etc, etc, mas acho as situações apresentadas por Tarantino, improváveis demais - e isso não é uma ofensa ao filme, muito pelo contrário; ficcção, Pulp Fiction...esse é um daqueles filmes que cumprem o que propõe. Não vou citar exemplos mais esclarecedores em relação a minha opinião, pois muitos leitores do blog não devem ter assistido Pulp Fiction ainda (sim, ele fica escondido lá na locadora e não passa na Sessão da Tarde). Porém, para aqueles que assistiram- não deve ser difícil notar como a maioria das situações são altamente improváveis - e não consigo não citar o fato de um chefão da máfia deixar sua bela esposa aos cuidados de um relés capanga em pleno sábado a noite! Improvável ao extremo.
  • O "sem pé nem cabeça" fica por conta, além dessa ficção escancarada e desconexa, da falta de cronologia no filme. São três histórias que interagem entre si, porém sem dar valor ao tempo, sem uma ordem exata dos fatos e isso faz uma criança se perder (eu tinha 9 anos quando tentei assistir pela primeira vez: não entendi nada!) e anos mais tarde quando voltei a assistir entendi que não é filme que se tem que entender, apenas observar, participar enquanto acontece, ficar com cara de origami em certas cenas, sádico em outras e por aí vai. É um filme pra ser sentido enquanto se vê e depois comentar da brutalidade de algumas cenas. De repetir a citação bíblica enquanto brinca de ladrão com o primo caçula; dizer Royal with Cheese e esperar alguém corresponder; de comentar como foi engraçado o cara morrer em seu 'troninho'. Mas morrer é engraçado? Esse é Pulp Fiction pra mim, deixem suas opiniões!
  • Vamos à trilha?

    1 - Misirlou, Dick Dale & His Del-Tones.
    2 - Coffee Shop Music

    3 - Jungle Boogie, Kool & The Gang.
    4 - Strawberry Letter #23, Brothers Johnson.
    5 - Bustin' Surfboards, The Tornadoes.
    6 - Let's Stay Together
    , Al Green
    7 - Son Of A Preacher Man, Dusty Springfield.
    8 - Bullwinkle Part II, The Centurians.
    9 - Waitin In School, Gary Shorelle.
    10 - Lonesome Town, Ricky Nelson.
    11 - Ace Of Spades, Link Wray.
    12 - Rumble, Link Wray e His Raymen.
    13 - Since I First Met You, The Robins.
    14 - Teenagers In Love
    , Woody Thorne.
    15 - You Never Can Tell,
    Chuck Berry. (O pai do rock e mais um pouco) *
    16 - Girl, You'll Be A Woman Soon, Urge Overkill. (Melhor música do filme!)
    17 - If Love Is A Red Dress (Hang Me In Rags), Maria McKee.
    18 - Flowers On The Wall, The Statler Brothers.
    19 - Out Of Limits, The Marketts. (meio "surf music" e maravilhosa, do álbum deles com mesmo nome)
    20 - Surf Rider, The Lively Ones.
    21 - Comanche, The Revels.

  • A trilha é tão excelente como a composição do filme e merece destaque com nomes pouco conhecidos do rock, porém com canções extraordinárias.
  • Pela falta de tempo, não vou me aprofundar nas músicas desse post, vou deixar para que vocês mesmos façam isso. Mas aposto que nomes como Chuck Berry, The Marketts, The Centurians e The Lively Ones, se não faziam parte de suas trilhas, podem começar a fazer, pois são bandas de alta qualidade!
  • Estou demasiadamente entristecida por não explicitar ainda mais minha opinião, através de exemplos de cenas do filme, mas não quero e não vou mais estragar a leitura de meus raros e adoráveis leitores. Comentemos depois, então, em uma mesa de bar sobre esse filme que mesmo "nem aí" acaba tendo muito sobre o que falar.


quinta-feira, 8 de maio de 2008

La Vita è Bella.



  • A coerência que tento manter ao falar sobre cinema me fez começar esse post com algumas observações.
  • Provavelmente, a maioria de vocês deve saber que A vida é bela concorreu ao Oscar de 1999 junto com Central do Brasil, um dos melhores filmes brasileiros já produzidos, ao meu ver e independente da "face" brasileira que representa. Para quem não sabe, o filme dirigido por Walter Salles e protagonizado por Fernanda Montenegro (primeira atriz latino-americana a realizar o feito de ser indicada ao prêmio de melhor atriz principal, oferecido pela Academia) não foi o vencedor de melhor filme estrangeiro e sim, o A vida é bela em questão.
  • Discussões a parte, resolvi tratar do filme italiano, não por ter levado a estatueta e sim por acreditar realmente em sua beleza e conteúdo. Consideraçãoes expostas, vamos lá.

  • Ator principal, diretor e roteirista (em conjunto com Vicenzo Cerami) Roberto Bellini - um inveterado comediante italiano, conhecido por suas criações "pastelonas", em um momento de extrema inspiração criou A vida é bela. Um filme belíssimo, com um roteiro brilhante que mescla muita criatividade e um parecer diferente sobre a Segunda Guerra Mundial (e é exatamente nessa questão que o filme é contestado, quando o fazem).
  • A história do pai, Guido, que ao ser levado junto com o filho Giosué- destaque mais que fundamental para o trabalho do pequenino Giorgio Cantarini, gracioso em sua meninice inocente e esperta - tenta esconder do garoto a grandeza do horror ao qual estão sendo submetidos. Uma mentira muito bem montada, não para enganar a criança, mas para salvar um pouco do gosto do filho pela vida, que segundo ele é bela. Separados da mãe Dora, interpretada pela bonita e competente Nicoletta Braschi - que na primeira parte do filme é o desejo maior de Guido, que faz o possível e o impossível para ficar junto com ela - os dois seguem para o campo de concentração e Bellini é submetido a trabalho forçado. O menino questiona o porquê de estarem ali e o pai usa das táticas mais desenvoltas para não deixar que descubra a realidade. Ele finge que tudo não passa de uma gincana, em que seria legal os dois vencerem. Nessa parte do filme, dentro do campo é que a história se faz mais emocionante e polêmica.
  • O período da Segunda Guerra Mundial e tudo o que a acompanhou é alvo de inúmeros estudos, relatos de acontecimentos e filmes. Posso citar, o excelente A lista de Schindler; O pianista, Além da linha vermelha, entre muitos outros que contam, cada qual ao seu modo, partes da história desse momento marcado principalmente pelo Nazismo e seus conceitos arianos de raça - os judeus nesse caso, eram os principais 'inimigos' da raça pura de Hitler. Judeus que eram enviados aos tenebrosos campos de concentração e o que se via por lá - pelo que nos foi mostrado ao longo do tempo - não tinha nada da 'comédia' colocada por Bellini. Essa é uma das críticas ao filme que exalta a beleza da vida mesmo no pior lugar para se estar naquele tempo. Afinal de contas, não devia ser tão simples assim um pai conseguir em meio a tanto sofrimento ter coragem, disposição e alegria para demonstrar ao seu filho que estava tudo bem. Aí, é claro, que está centrada o maior apelo do filme. O amor de um pai por um filho o faz encarar a mais tormentuosa experiência de sua vida com irreverência e sagacidade.
  • Bellini, com certeza, conseguiu fugir por um momento do pastelão, que era seu forte até então e construiu uma obra prima do cinema. Ele conseguiu fazer a figura de Guido, um homem comum e aparentemente fraco, uma figura corajosa, encantadora em seu amor pela famíia e pela vida. Um lutador sem armas, que lutava apenas contra a descrença na possibilidade de ainda serem felizes. Dificilmente, acredito eu, existiria uma figura como ele num campo de concentração como aquele - muitos críticos dizem que essa animação toda que permanece com ele ao longo do filme é uma ofensa aos judeus que passaram realmente por aquilo - mas não duvido. O ser humano é movido por sentimentos nobres o suficiente para que uma história como essa possa ser verdadeira. O que não seria de todo o mal, pois a lição aprendida nesse filme é a de que a vida merece uma luta a mais por ela; em momentos em que a fraqueza deveria ser o sentimento de maior peso, a vontade de continuar sorrindo e de manter uma vida é o que deve prevalecer.
  • Emocionante, pouco engraçado se comparado a sua dramaticidade, A vida é bela atinge um lugar de destaque na minha lista de bons filmes quando me perguntam. Simples: após assisti-lo tomei um sopro de boas vibrações que não tinha até então tomado. Mais do que isso, fiquei feliz em ver um filme não-americano tão bem quisto por todos; repleto de méritos por sua história criada dentro de uma história real, essa nada engraçada.
  • Um filme, pra mim, quando se propõe a transmitir algo ao espectador e atinge esse objetivo, já é um bom filme, mas quando o faz com uma história bem contada, excelente fotografia e edição de imagens, interpretações marcantes e marcadas (era pra ser exatamente como foi), ai esse filme, passa a adquirir outros valores pra mim, como esse revigorante A vida é bela adquiriu; um valor de obra prima cinematográfica, digam o que disserem.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Trainspotting.


  • Sem limites. É o subtítulo do filme de Danny Boyle que tornou-se um clássico do cinema alternativo. Britânico, filmado na Escócia, Trainspotting é um desses filmes "tapa na cara" que com um certo cinismo passa a mensagem que deseja. Seus 4 personagens principais, drogados, sem perspectivas na vida, demonstram como é o dia-a-dia, os bons e maus momentos das pessoas que se perdem no vício - o deles, em heroína. Tudo regado a muita, muita música boa.
  • Ewan McGregor, está longe do charmoso Christian de Moulin Rouge, na pele do jovem (até que boa pinta) Renton. Sua primeira fala no filme já denota o caráter antagônico do roteiro:
  • "Escolha vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma droga de televisão grande(...). Escolha seus amigos (...) Escolha seu futuro. Mas por quê alguém vai querer essas coisas? Eu escolhi não escolher vida. Eu escolhi outra coisa. E as razões? Não há razões".
  • E esse é só o começo de um filme que dá humor (mesmo que macabro) e drama (mesmo que leve) aos espectadores. Repleto de cenas fortes, como o momento de injetarem a droga, as brigas do quinto amigo (o não viciado Begbie, interpretado cômica e violentamente por Robert Carlyle), a cena do lençol de Spud (Ewen Bremner) chacoalhado na cozinha da namorada, entre algumas outras, Trainspotting torna-se o filme alternativo que deveria ser; desses pra ser assistido em cinemas mais vazios, nada sofisticados, como que para entrar naquele enredo sombrio que as drogas propiciam.
  • Uma das cenas que mais me chamou atenção quando assisti ao filme é a do bebê. Extremamente bem-feita, do início - com a percepção tardia da mãe de que algo está errado - ao fim - o close na medida certa no corpo apodrecido da criança - é uma das mais chocantes, até mesmo revoltante.
  • Destaque para as cenas das "viagens" de Renton. A clássica, na privada de um banheiro imundo, em que o personagem se perde em águas profundas e até mesmo límpidas atrás de ópio contido num supositório, é tão bem colocada na trama que é impossível ficar enojado, por exemplo. A outra do tapete, em que após injetar heroína, Renton fica extremamente mal e se vê afundado enquanto é carregado por Swanney (Peter Mullan) vendedor oficial do grupinho. Após esse episódio, inclusive, ele passa por uma fase de reabilitação e as cenas no quarto seguem a linha "viajada" e aceitável, com os retornos de coisas que aconteceram ao longo da história e que são extremamente assustadoras para Renton.
  • Diane, a namorada que só peca em sua menoridade, interpretada por Kelly MacDonald, salva Renton em alguns momentos. Por gostar da garota (e mais de si mesmo, obviamente) ele tenta deixar o vício, até mesmo mudando-se pra Londres, para trabalhar e ficar longe das drogas. Mesmo com esse romance criado no filme, Boyle não credita ao amor, nem o vício nem a tentavida de escapar dele.
  • O amigo Tommy (Kevin McFidd), um dos que não eram viciados e tornou-se após uma sacanagem de Renton (a fita trocada, que sacanagem!) é o que tem o destino mais triste. Após entrar de cabeça no vício dos amigos, que acabaram safando-se de uma forma ou outra, ele perde tudo o que tinha até então e definha tão amargamente que sua perda é uma das partes mais tristes do filme.
  • Pra não contar o filme inteiro (se é que não fiz isso ainda) passemos às músicas. Trainspotting, na minha opinião, tem uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos. Com Iggy Pop destacado o tempo todo no filme, mescla velocidade, pânico e calmaria nas canções escolhidas. Vale a pena.
1. Lust For Life 2. Deep Blue Day 3. Trainspotting 4. Atomic 5. Temptation
6. Nightclubbing 7. Sing 8. Perfect Day 9. Mile End 10. For What You Dream Of 11. Elastica 12. A Final Hit 13. Born Slippy 14. Closet Romantic

  • Na trilha, destaque mais que fundamental para Born Slippy (Underworld), clássica da música eletrônica, que ultimamente parece ter voltado a tocar "nas baladas" por aí. Excelente. Ainda mais no momento em que é colocada! Lust for life, Iggy (Ziggy) Pop em sua melhor forma dá o tom de abertura do filme. Trainspotting, da Primal Scream, é grande e cabe como trilha para a vida de qualquer pessoa, nem que seja em seus minutos de duração. Perfect Day, do Lou Reed, também faz parte desse incrível pacote de boas músicas. Sem contar o volume 2 da trilha do filme (que saiu em cd, assim como a primeira) aí sim, com Iggy Pop na veia.
  • Nas considerações finais sobre Trainspotting, me vejo obrigada a dizer que acho esse filme uma obra prima do cinema, seja ele qual for, que representa uma geração em seus diálogos, figurinos e em todas as suas interpretações. Dono de uma trilha sonora que também marcou época e de cenas tão bem elaboradas, que as "ilusórias" acabam sendo encaradas como as mais reais possíveis. Pois, o real dos personagens apresentados é tão sujo, escancarado, entristecido que aquilo que não acontece de verdade é o que parece salvá-los.
  • Se o Renton morre no final ou se dá bem, caso você não tenho assistido esse filme, não vou dizer. Assista, vale a pena.