quinta-feira, 8 de maio de 2008

La Vita è Bella.



  • A coerência que tento manter ao falar sobre cinema me fez começar esse post com algumas observações.
  • Provavelmente, a maioria de vocês deve saber que A vida é bela concorreu ao Oscar de 1999 junto com Central do Brasil, um dos melhores filmes brasileiros já produzidos, ao meu ver e independente da "face" brasileira que representa. Para quem não sabe, o filme dirigido por Walter Salles e protagonizado por Fernanda Montenegro (primeira atriz latino-americana a realizar o feito de ser indicada ao prêmio de melhor atriz principal, oferecido pela Academia) não foi o vencedor de melhor filme estrangeiro e sim, o A vida é bela em questão.
  • Discussões a parte, resolvi tratar do filme italiano, não por ter levado a estatueta e sim por acreditar realmente em sua beleza e conteúdo. Consideraçãoes expostas, vamos lá.

  • Ator principal, diretor e roteirista (em conjunto com Vicenzo Cerami) Roberto Bellini - um inveterado comediante italiano, conhecido por suas criações "pastelonas", em um momento de extrema inspiração criou A vida é bela. Um filme belíssimo, com um roteiro brilhante que mescla muita criatividade e um parecer diferente sobre a Segunda Guerra Mundial (e é exatamente nessa questão que o filme é contestado, quando o fazem).
  • A história do pai, Guido, que ao ser levado junto com o filho Giosué- destaque mais que fundamental para o trabalho do pequenino Giorgio Cantarini, gracioso em sua meninice inocente e esperta - tenta esconder do garoto a grandeza do horror ao qual estão sendo submetidos. Uma mentira muito bem montada, não para enganar a criança, mas para salvar um pouco do gosto do filho pela vida, que segundo ele é bela. Separados da mãe Dora, interpretada pela bonita e competente Nicoletta Braschi - que na primeira parte do filme é o desejo maior de Guido, que faz o possível e o impossível para ficar junto com ela - os dois seguem para o campo de concentração e Bellini é submetido a trabalho forçado. O menino questiona o porquê de estarem ali e o pai usa das táticas mais desenvoltas para não deixar que descubra a realidade. Ele finge que tudo não passa de uma gincana, em que seria legal os dois vencerem. Nessa parte do filme, dentro do campo é que a história se faz mais emocionante e polêmica.
  • O período da Segunda Guerra Mundial e tudo o que a acompanhou é alvo de inúmeros estudos, relatos de acontecimentos e filmes. Posso citar, o excelente A lista de Schindler; O pianista, Além da linha vermelha, entre muitos outros que contam, cada qual ao seu modo, partes da história desse momento marcado principalmente pelo Nazismo e seus conceitos arianos de raça - os judeus nesse caso, eram os principais 'inimigos' da raça pura de Hitler. Judeus que eram enviados aos tenebrosos campos de concentração e o que se via por lá - pelo que nos foi mostrado ao longo do tempo - não tinha nada da 'comédia' colocada por Bellini. Essa é uma das críticas ao filme que exalta a beleza da vida mesmo no pior lugar para se estar naquele tempo. Afinal de contas, não devia ser tão simples assim um pai conseguir em meio a tanto sofrimento ter coragem, disposição e alegria para demonstrar ao seu filho que estava tudo bem. Aí, é claro, que está centrada o maior apelo do filme. O amor de um pai por um filho o faz encarar a mais tormentuosa experiência de sua vida com irreverência e sagacidade.
  • Bellini, com certeza, conseguiu fugir por um momento do pastelão, que era seu forte até então e construiu uma obra prima do cinema. Ele conseguiu fazer a figura de Guido, um homem comum e aparentemente fraco, uma figura corajosa, encantadora em seu amor pela famíia e pela vida. Um lutador sem armas, que lutava apenas contra a descrença na possibilidade de ainda serem felizes. Dificilmente, acredito eu, existiria uma figura como ele num campo de concentração como aquele - muitos críticos dizem que essa animação toda que permanece com ele ao longo do filme é uma ofensa aos judeus que passaram realmente por aquilo - mas não duvido. O ser humano é movido por sentimentos nobres o suficiente para que uma história como essa possa ser verdadeira. O que não seria de todo o mal, pois a lição aprendida nesse filme é a de que a vida merece uma luta a mais por ela; em momentos em que a fraqueza deveria ser o sentimento de maior peso, a vontade de continuar sorrindo e de manter uma vida é o que deve prevalecer.
  • Emocionante, pouco engraçado se comparado a sua dramaticidade, A vida é bela atinge um lugar de destaque na minha lista de bons filmes quando me perguntam. Simples: após assisti-lo tomei um sopro de boas vibrações que não tinha até então tomado. Mais do que isso, fiquei feliz em ver um filme não-americano tão bem quisto por todos; repleto de méritos por sua história criada dentro de uma história real, essa nada engraçada.
  • Um filme, pra mim, quando se propõe a transmitir algo ao espectador e atinge esse objetivo, já é um bom filme, mas quando o faz com uma história bem contada, excelente fotografia e edição de imagens, interpretações marcantes e marcadas (era pra ser exatamente como foi), ai esse filme, passa a adquirir outros valores pra mim, como esse revigorante A vida é bela adquiriu; um valor de obra prima cinematográfica, digam o que disserem.

2 comentários:

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

a vida é bela! agente que complica ela! rss

post sensacional!letícia...mais um filme que eu não assiti, vc não contou o filme... isso é bom.rsss

bjo