quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Chicago.




___A fama instantânea que milhares de pessoas almejam mundo afora, é o tema base do musical vencedor absoluto do Oscar de 2003. Chicago conta a história de Roxie Hart (Renée Zellweger) e Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones), que por seus 15 minutos célebres fazem qualquer coisa.

___Adaptado por Bill Condon, da peça de teatro original de Fred Ebb e Bob Fosse, o filme apresenta uma mulher ingênua, que sonha em ser uma cantora famosa - Roxie - que após assassinar o amante, vai para a penitenciária, onde conhece Velma, que já tinha o status de celebridade, antes de matar a sangue frio o marido e sua amante. Na prisão, Roxie conhece "Mama" Morton (Queen Latifah) sua chefe corrupta, e por sugestão dela contrata o advogado mais acionado do momento, Billy Flinn (Richard Gere).




___Em pouco tempo, Flinn consegue que Roxie seja conhecida e amada pelas pessoas, que acreditaram que ela não fez nada por impulsos maléficos, que estava arrependida de tudo. E assim, ela passa a fazer muito sucesso. Velma, antes a presa mais famosa, começa a sentir ciúmes e arma uma maneira de desacreditar Roxie. As duas que eram clientes do mesmo advogado, travam uma batalha, da qual Velma sai vitoriosa. As duas voltam a unir-se tempos depois - e aqui acabam os desagradáveis spoilers.




___Por sua beleza visual, sua musicalidade bem executada e as belíssimas interpretações de seu elenco, Chicago arrebatou excelentes críticas do público, da crítica em si, e principalmente, da Academia. Além da estatueta de melhor filme do ano, levou também: melhor atriz coadjuvante - Catherine Zeta-Jones, melhor edição - Martin Walsh, melhor direção de arte - John Myhre, melhor figurino - Collen Atwood e melhor mixagem de som. Concorreu a mais sete prêmios: melhor direção - Rob Marshall, melhor atriz - Renée Zellweger, melhor ator coadjuvante- John C. Reilly, melhor atriz coadjuvante - Queen Latifah, melhor roteiro adaptado - Billy Condon, Melhor fotografia e melhor canção original - 'I move on', de John Kander (música) e Fred Ebb (letra).




___O elenco esteve impecável, com Zellweger dando um verdadeiro show, quando Roxie finalmente desponta para o estrelato, com um poder musical inesperado. Zeta-Jones realça sua reputação de boa atriz, mesmo que um pouco baixa até o momento, com a efervescência que Velma necessitava, uma atuação impecável. Gere e Latifah se apresentaram muito bem, porém, foram de certa forma ofuscados pelas protagonistas.




___Chicago para mim, antes de ser um filme divertido, com energia e ótimas canções, retrata de uma maneira interessante o universo de uma penitenciária feminina, ao apontar levemente, possíveis motivações e ao mostrar como a obstinação está contida nas mulheres - mesmo que, nem sempre, de forma positiva.




___Como musical, poucos filmes foram tão bem vistos e quistos como Chicago. A musicalidade bem harmonizada, já apontada, é cativante, boa pra se ouvir, quase vísivel. A canção principal, I move on, é contagiante:





[VELMA]
While truckin' down the road of life, although all hope seems gone,
I just move on.
[ROXIE]
When I can't find a single star to hang my wish upon, I just move on,
I move on.
[VELMA]
I run so fast, a shotgun blast can hurt me not one bit.
[ROXIE]
I'm on my toes cause heaven knows a moving target's hard to hit.
[VELMA & ROXIE]
So as we play an ice ballet, we're not the dying swan, we just move on,
we move on.
[ROXIE]
Just when it seems we're out of dreams, and things have got us down.
[VELMA]
We don't despair, we don't go there, we hang our bonnets out of town.
[VELMA & ROXIE]
So there's no doubt we're well cut out to run life's marathon, we just move on,
we just move on.
So fleet of foot, we can't stay put, we just move on.
Yes, we move on!





___Uma hora ou outra, conseguirei adicionar vídeos com os trailers e canções aqui, espero. Por ora, assista Chicago.





segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

The Silence Of The Lambs.





Em 1992 não teve para mais ninguém. Os cinco prêmios principais oferecidos pela Academia foram diretamente para os braços de Jonathan Demme (melhor direção), Jodie Foster (melhor atriz principal), Anthony Hopkins (melhor ator principal) e Teddy Tally (melhor roteiro adaptado, baseado no romance de Thomas Harris); além da estatueta mais importante: a de melhor filme do ano. Recebeu ainda indicações nas categorias de melhor edição e melhor som.


O sucesso de O silêncio dos inocentes - traduzindo para o português - está associado, sem dúvidas, às excelentes atuações de Hopkins e Foster. Um show de interpretação que pontuou de forma sublime os diálogos de extrema complexidade psicológica, como poucos filmes apresentam. As sequências desse suspense são tão bem feitas, calculadas e intensas, que é quase impossível não agarrar qualquer objeto a frente. Tensão mental e física muito bem imprimidas por Demme.



O sequestro de uma garota, por um psicopata, é o que leva Clarice Starling (J. Foster) a entrar em contato com o, outrora importantíssimo, psiquiatra Hannibal Lecter (A. Hopkins). Tal encontro serviria para que Hannibal traçasse o perfil psicológico do assassino em série, enquanto em troca, Starling revelaria segredos de seu passado. Starling encara a difícil missão de conversar durante horas com o ex-psiquiatra, que é canibal e já está no corredor da morte. Essa ajuda faz com que as pistas certas sejam seguidas, e mariposas exóticas resolvem o mistério - não apresentarei mais spoilers para não atrapalhar, ainda mais, possíveis novos espectadores.

O fato é que, para os cinéfilos de plantão, The silence of the lambs está para o gênero 'serial killer', como o The Godfather está para os filmes de máfia, tamanho seu poder de execução e inteligência. E mais do que isso é a incrível criação que o cinema presenciou, pois Hopkins transformou Hannibal Lecter em um dos mais monstruosos personagens do cinema, ao mesmo tempo em que torna-se impossível não admirar aquela pose calma e as indagações sempre coerentes, do canibal atrás do vidro.

Todos os Oscars arrebatados por essa película são merecidos. Definitivamente, em termos de mistério e suspense é imbatível, pois poucos filmes trazem uma sensação de realidade tão grande como este. Mérito de Demme, de Tally (com a adaptação sucinta para o cinema) e também para a trilha sonora assinada por Howard Shore, que inevitavelmente nesse gênero, faz arrepiar os cabelos da nuca a qualquer instante.

Obra prima, clássica, fantástica! Sem mais.


domingo, 15 de fevereiro de 2009

American Beauty



  • Com a chegada iminente do esperado evento cinematográfico, o sempre jovial e nem sempre justo: Oscar, esse desatento blog terá considerações apresentadas sobre alguns filmes vencedores do tão definidor prêmio - o de melhor filme do ano, no caso. O primeiro dessa seleta lista é o Beleza Americana (Oscar/1999), filme dirigido por Sam Mendes, desses que apresentam um cenário pouco adotado como verdadeiro aos norte-americanos de plantão.
  • Como na maioria dos grandes filmes da história, um dos trunfos de American Beauty está em seu roteiro. A criação complexa e bem amarrada de Allan Ball, unida às excelentes interpretações do elenco e a direção, primorosa e visualmente perfeita, de Sam Mendes tornou essa película um dos clássicos do cinema.
  • O enredo apresenta personagens com conflitos interiores complexos, descritos em uma família de classe média, típica estadunidense - Lester, Carolyn e Jane Burnham, seus vizinhos ainda mais conservadores e tradicionais - Coronel Frank Fitts, Barbara e Ricky Fitts, e a melhor amiga de Jane Burnham, a jovem e bela Angela Hayes. Pela intensidade de tais personagens, uma rápida descrição de cada um deles se faz necessária.
  • Lester Burnham é um homem que entra na crise da meia idade. Ao pedir demissão do emprego, com uma chantagem vantajosa sobre seus chefes, ele passa a viver de modo a recuperar aquela juventude que ele mal viu passar. Interpretado de forma magistral por Kevin Spacey (vencedor do Oscar de melhor ator), Lester é o esposo traído de Carolyn (Annete Bening, indicada ao Oscar de melhor atriz), e o pai da problemática Jane (Thora Birch). Sem muitas perspectivas para o futuro, Lester repentinamente se vê envolvido com Angela, a intrigante amiga de sua filha, em pleno frescor de sua juventude. Ele passa a se exercitar ainda mais, em busca de um corpo que outrora foi seu, e a realizar coisas que desejava muito e que não tinha tido oportunidade. Um carro esporte, uso de maconha, amizade com pessoas mais jovens, o vizinho Ricky, no caso, são os exemplos mais característicos.
  • Enquanto isso, sua família desmorona. A esposa Carolyn mantém um caso com Buddy Kane (Peter Gallagher), e sua vida se faz perfeita com as roupas certas, o carro do ano, o jardim perfeito e certas futilidades que não estão distantes da realidade de qualquer pessoa. A filha do casal, Jane, é extremamente insegura, e apenas ao entrar em contato com Ricky (Wes Bentley), o vizinho que vê tudo por meio de sua camêra, é que consegue perceber sua singularidade. Os dois jovens e Angela (Mena Suvari) são a nova geração de Beleza Americana. Angela, por sinal, apesar de sua aparente obcessão por sexo, é tão insegura quanto Jane, e sofre muito por não saber o que realmente precisa em sua vida.
  • Para fechar a gama de personagens do filme, o casal Fitts - o coronel Frank (Chris Cooper), figura autoritária, que mantém o filho sob supervisão rigorosa o tempo todo, não escapando de ser enganado por ele, e a submissa Barbara (Allisson Janney), que é uma das personagens mais tristes que já observei no cinema. Seu silêncio contrasta com as ordens machistas de seu marido, e novamente, a realidade não fica longe do que é apresentado na trama.
  • Traição, desonestidade, submissão, sexualidade exarcebada, drogas, silêncios amargos, entre outros conflitos, são os temas dessa importante produção, que ao dizer 'look closer - olhe de perto', traz a realidade, não apenas norte-americana, mas humana aos olhos de todos. A percepção de uma sociedade pautada no que é visível aos outros, não no que necessariamente é melhor a si mesmo, faz com que enredos de Ball, sejam encaixados em pinceladas nos cotidianos dos espectadores, e é isso ao meu ver, que faz com que American Beauty mereça todos os gracejos que rondam seu nome.

  • TRILHA SONORA
  • Indicada também ao Oscar, essa trilha sonora é uma das melhores mesmo e ponto. Músicas como Because, escrita pela dupla Paul/John e interpretada por Elliot Smith:

"Because the world is round it turns me on.

Because the wind is high it blows my mind.

Love is old, love is new. Love is all, love is you".

  • All right now, de Free
  • All along the watchtower, do mestre Bob Dylan:

"There's too much confusion, I can't get no relief.

Businessmen, they drink my wine, plowmen dig my earth.

None of them along the line know what any of it is worth."

  • The seeker, da poderosa The Who:

"I'm looking for me. You're looking for you.

We're looking in at other. And we don't know what to do".

  • Open the door, fantástica de Betty Carter,
  • Where love has gone, de Bobby Darin, que assina pelo menos mais quatro faixas e encerra a trilha.

Com oito indicações ao Oscar: melhor trilha sonora/edição/ atriz principal: Annete Bening; e cinco vitórias: melhor filme/ melhor direção:Sam Mendes,/ melhor ator principal: Kevin Spacey/ Melhor fotografia/melhor roteiro original: Allan Ball; é essa a beleza de American Beauty.