domingo, 15 de fevereiro de 2009

American Beauty



  • Com a chegada iminente do esperado evento cinematográfico, o sempre jovial e nem sempre justo: Oscar, esse desatento blog terá considerações apresentadas sobre alguns filmes vencedores do tão definidor prêmio - o de melhor filme do ano, no caso. O primeiro dessa seleta lista é o Beleza Americana (Oscar/1999), filme dirigido por Sam Mendes, desses que apresentam um cenário pouco adotado como verdadeiro aos norte-americanos de plantão.
  • Como na maioria dos grandes filmes da história, um dos trunfos de American Beauty está em seu roteiro. A criação complexa e bem amarrada de Allan Ball, unida às excelentes interpretações do elenco e a direção, primorosa e visualmente perfeita, de Sam Mendes tornou essa película um dos clássicos do cinema.
  • O enredo apresenta personagens com conflitos interiores complexos, descritos em uma família de classe média, típica estadunidense - Lester, Carolyn e Jane Burnham, seus vizinhos ainda mais conservadores e tradicionais - Coronel Frank Fitts, Barbara e Ricky Fitts, e a melhor amiga de Jane Burnham, a jovem e bela Angela Hayes. Pela intensidade de tais personagens, uma rápida descrição de cada um deles se faz necessária.
  • Lester Burnham é um homem que entra na crise da meia idade. Ao pedir demissão do emprego, com uma chantagem vantajosa sobre seus chefes, ele passa a viver de modo a recuperar aquela juventude que ele mal viu passar. Interpretado de forma magistral por Kevin Spacey (vencedor do Oscar de melhor ator), Lester é o esposo traído de Carolyn (Annete Bening, indicada ao Oscar de melhor atriz), e o pai da problemática Jane (Thora Birch). Sem muitas perspectivas para o futuro, Lester repentinamente se vê envolvido com Angela, a intrigante amiga de sua filha, em pleno frescor de sua juventude. Ele passa a se exercitar ainda mais, em busca de um corpo que outrora foi seu, e a realizar coisas que desejava muito e que não tinha tido oportunidade. Um carro esporte, uso de maconha, amizade com pessoas mais jovens, o vizinho Ricky, no caso, são os exemplos mais característicos.
  • Enquanto isso, sua família desmorona. A esposa Carolyn mantém um caso com Buddy Kane (Peter Gallagher), e sua vida se faz perfeita com as roupas certas, o carro do ano, o jardim perfeito e certas futilidades que não estão distantes da realidade de qualquer pessoa. A filha do casal, Jane, é extremamente insegura, e apenas ao entrar em contato com Ricky (Wes Bentley), o vizinho que vê tudo por meio de sua camêra, é que consegue perceber sua singularidade. Os dois jovens e Angela (Mena Suvari) são a nova geração de Beleza Americana. Angela, por sinal, apesar de sua aparente obcessão por sexo, é tão insegura quanto Jane, e sofre muito por não saber o que realmente precisa em sua vida.
  • Para fechar a gama de personagens do filme, o casal Fitts - o coronel Frank (Chris Cooper), figura autoritária, que mantém o filho sob supervisão rigorosa o tempo todo, não escapando de ser enganado por ele, e a submissa Barbara (Allisson Janney), que é uma das personagens mais tristes que já observei no cinema. Seu silêncio contrasta com as ordens machistas de seu marido, e novamente, a realidade não fica longe do que é apresentado na trama.
  • Traição, desonestidade, submissão, sexualidade exarcebada, drogas, silêncios amargos, entre outros conflitos, são os temas dessa importante produção, que ao dizer 'look closer - olhe de perto', traz a realidade, não apenas norte-americana, mas humana aos olhos de todos. A percepção de uma sociedade pautada no que é visível aos outros, não no que necessariamente é melhor a si mesmo, faz com que enredos de Ball, sejam encaixados em pinceladas nos cotidianos dos espectadores, e é isso ao meu ver, que faz com que American Beauty mereça todos os gracejos que rondam seu nome.

  • TRILHA SONORA
  • Indicada também ao Oscar, essa trilha sonora é uma das melhores mesmo e ponto. Músicas como Because, escrita pela dupla Paul/John e interpretada por Elliot Smith:

"Because the world is round it turns me on.

Because the wind is high it blows my mind.

Love is old, love is new. Love is all, love is you".

  • All right now, de Free
  • All along the watchtower, do mestre Bob Dylan:

"There's too much confusion, I can't get no relief.

Businessmen, they drink my wine, plowmen dig my earth.

None of them along the line know what any of it is worth."

  • The seeker, da poderosa The Who:

"I'm looking for me. You're looking for you.

We're looking in at other. And we don't know what to do".

  • Open the door, fantástica de Betty Carter,
  • Where love has gone, de Bobby Darin, que assina pelo menos mais quatro faixas e encerra a trilha.

Com oito indicações ao Oscar: melhor trilha sonora/edição/ atriz principal: Annete Bening; e cinco vitórias: melhor filme/ melhor direção:Sam Mendes,/ melhor ator principal: Kevin Spacey/ Melhor fotografia/melhor roteiro original: Allan Ball; é essa a beleza de American Beauty.


Um comentário:

Beto Carlomagno disse...

Como sempre, um ótimo texto sobre um ótimo filme. E como sempre tb, vc escreveu sobre um dos meus favoritos. É até difícil escrever sobre um filme com tantas qualidades, mas vc conseguiu pontuar o mais importante, e o q é o maior mérito do filme sem dúvidas... seu elenco, suas interpretações e seus personagens. São eles q tornam esse filme, como dito por vc, um clássico recente.
Ótimo post again leleca... ansioso pelos próximos.
Bjo