quarta-feira, 23 de abril de 2008

Trainspotting.


  • Sem limites. É o subtítulo do filme de Danny Boyle que tornou-se um clássico do cinema alternativo. Britânico, filmado na Escócia, Trainspotting é um desses filmes "tapa na cara" que com um certo cinismo passa a mensagem que deseja. Seus 4 personagens principais, drogados, sem perspectivas na vida, demonstram como é o dia-a-dia, os bons e maus momentos das pessoas que se perdem no vício - o deles, em heroína. Tudo regado a muita, muita música boa.
  • Ewan McGregor, está longe do charmoso Christian de Moulin Rouge, na pele do jovem (até que boa pinta) Renton. Sua primeira fala no filme já denota o caráter antagônico do roteiro:
  • "Escolha vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma droga de televisão grande(...). Escolha seus amigos (...) Escolha seu futuro. Mas por quê alguém vai querer essas coisas? Eu escolhi não escolher vida. Eu escolhi outra coisa. E as razões? Não há razões".
  • E esse é só o começo de um filme que dá humor (mesmo que macabro) e drama (mesmo que leve) aos espectadores. Repleto de cenas fortes, como o momento de injetarem a droga, as brigas do quinto amigo (o não viciado Begbie, interpretado cômica e violentamente por Robert Carlyle), a cena do lençol de Spud (Ewen Bremner) chacoalhado na cozinha da namorada, entre algumas outras, Trainspotting torna-se o filme alternativo que deveria ser; desses pra ser assistido em cinemas mais vazios, nada sofisticados, como que para entrar naquele enredo sombrio que as drogas propiciam.
  • Uma das cenas que mais me chamou atenção quando assisti ao filme é a do bebê. Extremamente bem-feita, do início - com a percepção tardia da mãe de que algo está errado - ao fim - o close na medida certa no corpo apodrecido da criança - é uma das mais chocantes, até mesmo revoltante.
  • Destaque para as cenas das "viagens" de Renton. A clássica, na privada de um banheiro imundo, em que o personagem se perde em águas profundas e até mesmo límpidas atrás de ópio contido num supositório, é tão bem colocada na trama que é impossível ficar enojado, por exemplo. A outra do tapete, em que após injetar heroína, Renton fica extremamente mal e se vê afundado enquanto é carregado por Swanney (Peter Mullan) vendedor oficial do grupinho. Após esse episódio, inclusive, ele passa por uma fase de reabilitação e as cenas no quarto seguem a linha "viajada" e aceitável, com os retornos de coisas que aconteceram ao longo da história e que são extremamente assustadoras para Renton.
  • Diane, a namorada que só peca em sua menoridade, interpretada por Kelly MacDonald, salva Renton em alguns momentos. Por gostar da garota (e mais de si mesmo, obviamente) ele tenta deixar o vício, até mesmo mudando-se pra Londres, para trabalhar e ficar longe das drogas. Mesmo com esse romance criado no filme, Boyle não credita ao amor, nem o vício nem a tentavida de escapar dele.
  • O amigo Tommy (Kevin McFidd), um dos que não eram viciados e tornou-se após uma sacanagem de Renton (a fita trocada, que sacanagem!) é o que tem o destino mais triste. Após entrar de cabeça no vício dos amigos, que acabaram safando-se de uma forma ou outra, ele perde tudo o que tinha até então e definha tão amargamente que sua perda é uma das partes mais tristes do filme.
  • Pra não contar o filme inteiro (se é que não fiz isso ainda) passemos às músicas. Trainspotting, na minha opinião, tem uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos. Com Iggy Pop destacado o tempo todo no filme, mescla velocidade, pânico e calmaria nas canções escolhidas. Vale a pena.
1. Lust For Life 2. Deep Blue Day 3. Trainspotting 4. Atomic 5. Temptation
6. Nightclubbing 7. Sing 8. Perfect Day 9. Mile End 10. For What You Dream Of 11. Elastica 12. A Final Hit 13. Born Slippy 14. Closet Romantic

  • Na trilha, destaque mais que fundamental para Born Slippy (Underworld), clássica da música eletrônica, que ultimamente parece ter voltado a tocar "nas baladas" por aí. Excelente. Ainda mais no momento em que é colocada! Lust for life, Iggy (Ziggy) Pop em sua melhor forma dá o tom de abertura do filme. Trainspotting, da Primal Scream, é grande e cabe como trilha para a vida de qualquer pessoa, nem que seja em seus minutos de duração. Perfect Day, do Lou Reed, também faz parte desse incrível pacote de boas músicas. Sem contar o volume 2 da trilha do filme (que saiu em cd, assim como a primeira) aí sim, com Iggy Pop na veia.
  • Nas considerações finais sobre Trainspotting, me vejo obrigada a dizer que acho esse filme uma obra prima do cinema, seja ele qual for, que representa uma geração em seus diálogos, figurinos e em todas as suas interpretações. Dono de uma trilha sonora que também marcou época e de cenas tão bem elaboradas, que as "ilusórias" acabam sendo encaradas como as mais reais possíveis. Pois, o real dos personagens apresentados é tão sujo, escancarado, entristecido que aquilo que não acontece de verdade é o que parece salvá-los.
  • Se o Renton morre no final ou se dá bem, caso você não tenho assistido esse filme, não vou dizer. Assista, vale a pena.

5 comentários:

Anônimo disse...

Putz Let esse blog ta da hora hein
Trainspotting é um puta filme mesmo
ta entre os meus favoritos.
Com detalhe para a viagem do Renton na privada limpissima
aahuahuahuahu

Unknown disse...

Oh No!
Eu ainda não vi esse filme... =/
Vou "em busca de Trainspotting"...rs

O post ta sensacional,adorei de verdade.


Beijo Lets
!

Juliano Carvalho disse...

dóraa esse post!

quase censurei, pensei que vc ia contar o filme todo, eu ainda não assisti... fiquei com vontade!

parabéns!!vc manda bem, truta que já apareceu na mtv...;P

té mais.

murilo disse...

eu julgo que um filme bom é aquele que te provoca, te desafia. trainspotting fez isso comigo: me deu vontade de jogar tudo pro ar e ir dar umas picadas!

parabéns, lets! gostei demais do post!

beijo

Desirée disse...

bom, comecei a ler seu post ontem né le.
mas parei no meio e resolvi assistir o filme!
agora, pude reaalmente ler tudo, e sim, comentar!
a cena do bebê simplesmente me arrepiou. os gritos da mãe, saiam de não sei onde. e o final da cena também mostra muito a situação do vício né."I can help(..)to forget". [ sim, assisti em inglês, sem legendas hahah ;p ]

texto muito bom le, ressaltou alguns dos melhores momentos mesmo!
adorei o filme e o texto !

beijo ;*